Depois de cinco anos, finalmente retornei à minha cidade natal, Cidade dos Salgueiros. Meus pais perguntaram o que estive fazendo durante todo esse tempo, mas não tive coragem de lhes contar que passe
Quando ainda estudava, minha colega de carteira era uma jovem de beleza arrebatadora. Olhos vivos, voz cristalina, e um aroma delicado que sempre a envolvia. Sentia por ela uma paixão secreta, mas nunca tive coragem de confessar.
Ninguém esperava que, durante uma excursão da turma para uma trilha na montanha, ela desaparecesse de repente. O professor imediatamente acionou a equipe de resgate, enquanto eu, tentando ser herói, me embrenhei sozinho pela floresta, quase me perdendo. No fim, os socorristas me encontraram no meio da noite, mas dela nunca mais houve notícia.
Depois daquele acontecimento, sempre que recordo aquela noite, imagino-me no lugar da colega, vagando faminta pela floresta escura. Os chamados e luzes da equipe de resgate ecoam ao longe, eu grito e corro, mas nunca consigo me aproximar. Por fim, o som e a luz se dissipam, e fico abandonado naquele mundo solitário e sombrio.
Essa terrível fantasia me atormentou por inúmeras noites, como um espírito maligno que me acompanha.
Cinco anos se passaram. Agora estudo numa universidade de outra região e, durante as férias de verão, retorno à minha cidade natal, Cidade dos Salgueiros. A montanha que marcou minha memória sombria fica nos arredores da cidade. Ao verificar o trajeto de volta, notei que o trem passaria justamente por lá, e decidi revisitar o local. Já estava a bordo do trem quando, cochilando no assento, fui despertado pela voz da locutora:
“Próxima parada: ‘Estação da Montanha Sem Nome’. Abriremos as portas do lado esquerdo. Por gentileza, ceda o assento destinado a pass