Transmigração de Ervas e Flores

Transmigração de Ervas e Flores

Autor: Ling Wei que gosta de feijões vermelhos do mar
63mil palavras Palavras
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Ela atravessou e se tornou uma jovem de família pobre. A casa era tão miserável que só tinha quatro paredes; o pai e a mãe eram ingênuos e meio tolos, e até o irmão mais novo estava prestes a morrer d

Capítulo 1

Um galo cantou ao longe.

Flor da Relva ergueu-se em silêncio, vestindo a única roupa de cima que possuía, um casaco gasto, remendado em todos os cantos.

As mangas estavam curtas demais; ao vestir aquilo, sentia o corpo preso e sem liberdade. Mas não havia escolha. Aquela era a única peça decente que tinha no corpo, e ainda assim fora doada por vizinhos que, com pena deles, haviam entregue roupas que não queriam mais. A menina mesma, com agulha e linha, costurara os rasgos aqui e ali para conseguir usá-la.

Na penumbra, chegou ao pátio. Os pais daquele corpo já estavam de pé: o pai varria o chão, a mãe preparava a comida.

O pai chamava-se Barrigudo. Era seco e magro, e o corpo, já naturalmente pequeno, fora tão esmagado pela vida que as costas se curvaram profundamente. Tinha pouco mais de trinta anos, mas parte dos cabelos já era branca.

— Flor da Relva, já levantou? — disse ele, sorrindo com simplicidade, o rosto todo vincado de rugas.

— Hum.

Ela pegou uma concha de água, lavou o rosto com as próprias mãos, enxaguou a boca e pronto: lavar os dentes e o rosto resolvido.

Não perguntem por que eram tão pouco asseados. A resposta era uma só: pobreza.

Pobreza demais.

Numa dinastia de nome ignorado, a guerra corria solta e o povo vivia sem conseguir respirar. Em toda a aldeia, exceto a família do chefe, não havia uma casa que comesse até se fartar.

E, claro, a casa de Flor da Relva era a mais miserável de toda a Vila da Relva.

Ela enxugou a água dos olhos com a manga e entrou na casa. A mãe, Jadezinha, já

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