Ela atravessou e se tornou uma jovem de família pobre. A casa era tão miserável que só tinha quatro paredes; o pai e a mãe eram ingênuos e meio tolos, e até o irmão mais novo estava prestes a morrer d
Um galo cantou ao longe.
Flor da Relva ergueu-se em silêncio, vestindo a única roupa de cima que possuía, um casaco gasto, remendado em todos os cantos.
As mangas estavam curtas demais; ao vestir aquilo, sentia o corpo preso e sem liberdade. Mas não havia escolha. Aquela era a única peça decente que tinha no corpo, e ainda assim fora doada por vizinhos que, com pena deles, haviam entregue roupas que não queriam mais. A menina mesma, com agulha e linha, costurara os rasgos aqui e ali para conseguir usá-la.
Na penumbra, chegou ao pátio. Os pais daquele corpo já estavam de pé: o pai varria o chão, a mãe preparava a comida.
O pai chamava-se Barrigudo. Era seco e magro, e o corpo, já naturalmente pequeno, fora tão esmagado pela vida que as costas se curvaram profundamente. Tinha pouco mais de trinta anos, mas parte dos cabelos já era branca.
— Flor da Relva, já levantou? — disse ele, sorrindo com simplicidade, o rosto todo vincado de rugas.
— Hum.
Ela pegou uma concha de água, lavou o rosto com as próprias mãos, enxaguou a boca e pronto: lavar os dentes e o rosto resolvido.
Não perguntem por que eram tão pouco asseados. A resposta era uma só: pobreza.
Pobreza demais.
Numa dinastia de nome ignorado, a guerra corria solta e o povo vivia sem conseguir respirar. Em toda a aldeia, exceto a família do chefe, não havia uma casa que comesse até se fartar.
E, claro, a casa de Flor da Relva era a mais miserável de toda a Vila da Relva.
Ela enxugou a água dos olhos com a manga e entrou na casa. A mãe, Jadezinha, já