Rumorava-se que Bo Shaojin, o poderoso da família Bo, era uma pessoa de desejos austeros, fria e autoritária, tomando decisões de forma tirânica e sem admitir contestação. Dentro ou fora do círculo so
Na cidade T, acabara de cair uma chuva torrencial, e o céu, já sombrio, tornara-se ainda mais fechado depois dela.
Diante da porta do apartamento, An Yin seguia apertadinha atrás de Bo Cheng, com um ar tenso e desconfortável.
— Não consegue relaxar um pouco?
Bo Cheng, com toda a naturalidade, apertou a campainha e lançou-lhe um olhar, sem conseguir conter a queixa.
— Mas... — An Yin não era o tipo de garota que soubesse mentir — tenho medo de me denunciar.
— Basta lembrar do que eu te disse antes. — advertiu Bo Cheng.
— Hum. — An Yin baixou os olhos e respondeu sem muita confiança.
A porta se abriu lentamente.
O coração de An Yin bateu acelerado.
Com a cabeça abaixada, ela não percebeu que o ambiente ao redor estava tomado por uma frieza cortante.
— Irmão. — Bo Cheng abriu um sorriso, com um toque de bajulação no rosto, e chamou de modo íntimo o homem que vinha atender a porta.
O homem trajava um terno preto. Seu rosto, firme e marcado por linhas bem definidas, exalava severidade. Os lábios finamente cerrados tornavam sua expressão ainda mais fria e bonita.
— Entrem. — soou a voz grave do homem.
A visita do primo não o surpreendera; seu olhar apenas se detivera por um segundo sobre a garota de cabeça baixa e silenciosa.
An Yin estremeceu. Ao erguer o rosto, viu apenas as costas altas do homem enquanto ele caminhava para dentro.
À porta, Bo Cheng virou-se e sussurrou:
— Tira os sapatos.
Quem conhecia Bo Shaojin sabia muito bem que ele tinha uma obsessão severa por limpeza