Quando a má sorte bate, até beber água fria entala os dentes! Zhou Wan também se sentia injustiçado: por que sempre a tomavam como suspeita? Aquilo no corredor da delegacia ela podia atravessar de olh
— Agente, eu realmente não sou a assassina!
Na sala de interrogatório, Zhou Wan mantinha as mãos naturalmente cerradas sobre a mesa, esforçando-se para se explicar.
Do outro lado da longa mesa, Huang Xin, fardada, claramente não acreditava nela e prosseguiu no interrogatório:
— Então me diga: por que você estava no Parque Jinsa às 1h30 da madrugada?
Zhou Wan sacudiu a cabeça, já perdendo quase toda a paciência, e repetiu:
— Eu já disse! Saí do turno da noite à meia-noite e só passei por ali por acaso!
— Saiu do trabalho à meia-noite, mas em vez de correr para casa e descansar, ficou vagando no parque até as 1h29 antes de ir embora? — O tom de Huang Xin vinha carregado de suspeita, e seu olhar, afiado, não saía de cima dela.
Zhou Wan não demonstrou medo algum. Piscou e assentiu:
— Pois é! Ora, gente como nós, sem ninguém, volta para casa e continua sozinha do mesmo jeito, não faz diferença nenhuma. Por acaso a lei diz que, depois da meia-noite, não se pode mais passear na rua?
— Língua afiada.
A frase escapou de Huang Xin sem querer. Em seguida, ela recostou-se na cadeira, baixou a cabeça e lançou o olhar por baixo da mesa, observando os sapatos da mulher à sua frente.
Os tênis brancos estavam limpos na parte da frente, mas os vincos do material e o desgaste pronunciado da sola mostravam que já eram usados havia muito tempo.
— Seus sapatos estão bem limpos — disse Huang Xin, de repente.
Zhou Wan seguiu o olhar dela e baixou os olhos; depois balançou o pé e riu sem graça.
— Lavei hoje cedo.