Guardião das Sombras

Guardião das Sombras

Autor: Rebite
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Quando meu avô faleceu, desenterrou-se um caixão vermelho em meu quarto. O segundo tio disse que ali dentro jaz minha esposa... Antes dos trinta mil caracteres, haverá uma atualização por dia; após os

Capítulo Primeiro: O Cadáver que Devora o Lodo

Nossa aldeia sempre manteve o costume do sepultamento em terra; nas casas onde havia idosos, era comum preparar com antecedência um ou dois caixões.
Quando eu era pequeno, minha família não tinha posses, e os cômodos eram poucos. O quarto onde eu dormia foi dividido em dois: na parte de dentro ficava o caixão do meu avô, e eu ocupava a parte de fora.
Foi apenas no meu segundo ano do ginásio, quando o avô faleceu, que o caixão foi finalmente retirado dali.
Aquele caixão permanecera ali por tantos anos que deixara uma marca funda no chão; a terra naquele ponto era mais escurecida do que ao redor, como se ainda houvesse ali um caixão repousando.
No dia seguinte ao enterro, a divisória do quarto foi demolida. Deitado na cama, eu podia ver perfeitamente aquela marca, sentindo sempre um frio gélido nas costas.
Mas não havia outro cômodo disponível, e só me restou reunir coragem para continuar ali.
No sétimo dia da morte do avô, minha mãe, desde cedo, recolheu tudo o que ele usara em vida e mandou meu pai que levasse até o túmulo para queimar.
No campo, há a crença de que, no sétimo dia, o espírito do falecido retorna aos lugares que lhe eram familiares. Por isso, não se pode deixar à vista nada do que lhe pertenceu, pois, do contrário, a alma se recusaria a partir, e desgraças poderiam suceder.
Na noite do retorno da alma, todos da casa deviam deitar cedo, e, não importando que sons se ouvissem, ninguém deveria falar nem levantar-se para espiar.
Ainda nem era noite fechada e já me enrosquei na cama, bem coberto pelo edredom. Talvez

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