“Doutor, parece que há algo errado com minhas emoções.” “No Circo de Xicheng há um palhaço capaz de fazer todos rirem; creio que ele poderá ajudá-lo.” “Mas, doutor... eu sou aquele palhaço.” “..
Ao despertar, Ji Xun percebeu-se num quarto completamente estranho.
Duas ideias irromperam instantaneamente em sua mente.
Primeira: tráfico de órgãos.
Segunda: armadilha de sedução.
Era um aposento hermético, com paredes de cimento nuas por todos os lados; além de uma cama que mais lembrava a divisória de um banheiro, não havia absolutamente nenhum outro móvel. Sem janelas, sem mobília – o local assemelhava-se ora a uma cela, ora a um quarto de fuga de algum jogo, ou talvez a uma daquelas suítes temáticas obscuras.
Mas uma coisa era certa: não era um quarto respeitável.
Ji Xun encontrava-se deitado naquela ampla cama, despido, e seu estado mental tampouco era dos melhores.
Ao seu lado, jazia ainda uma mulher, igualmente nua.
Lançou-lhe alguns olhares de relance para se certificar – sim, nada escapava à visão.
Era um corpo de beleza estonteante, pele acetinada que convidava ao devaneio, seios generosos e um rosto de delicadeza quase sobrenatural, com um traço de feitiço.
“O que... está acontecendo?”
A súbita fortuna carnal não lhe despertou deleite; pelo contrário, Ji Xun, por puro instinto, tornou-se cauteloso.
Esforçou-se por recordar se não teria apagado após uma bebedeira, ou se fora golpeado na cabeça. No entanto, suas memórias permaneciam cristalinas: adormecera normalmente na noite anterior, e ao despertar, estava nesse quarto desconhecido.
...
Não era um sonho.
Ji Xun logo confirmou esse fato.
Apesar da dor aguda nas costas, que mal lhe permitia erguer-se, não havia fer